quinta-feira, 21 de junho de 2012

Conjuntura Brasil-Caetité



Nos últimos quinze anos o Brasil apareceu de vez como potência econômica no cenário mundial. A política neoliberalista de desenvolvimento, iniciada nos governos de Fernando Henrique Cardoso (FHC) do PSDB e consolidada nas administrações de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff ambos do PT, conduziu todo esse processo. As mudanças chegaram: maior visibilidade dada ao Brasil nas organizações econômicas mundiais, maior poder aquisitivo de alguns setores da sociedade, maior concentração de terras, crescimento do desmatamento, grande utilização de agrotóxicos pelo agronegócio, exploração extenuante de recursos naturais e tantas outras modificações visíveis.

Analisamos que essas mudanças não foram apenas para o bem da sociedade brasileira. Muito do que vem ocorrendo acabou consolidando a hegemonia burguesa e não melhorou no mesmo grau (ou em nenhum grau mesmo) a vida dos trabalhadores e trabalhadoras das classes menos favorecidas. A degradação do meio-ambiente, o endividamento das classes médias, o consumismo desenfreado, a privatização de importantes serviços antes públicos, a exploração e desmoralização do(a) trabalhador(a), são exemplos das consequências de um política que se rende ao capital e aposta todas as suas fichas no desenvolvimento à todo custo e que desrespeita os direitos humanos, vide o que está acontecendo com a construção da Usina de Belo Monte e as remoções para atender as necessidades de realização da Copa do Mundo FIFA de 2014.

O que se observa em Caetité (cidade do sudoeste baiano) não é diferente. Nos últimos vinte anos a cidade vem passando por transformações e é um exemplo micro do que se vê no Brasil.

Da mesma forma que no âmbito nacional, as mudanças em Caetité melhoraram a vida de uma pequena parcela da sociedade. Enquanto isso, a exploração dos recursos naturais e o crescimento sem planejamento afetaram de maneira impactante a vida das famílias mais pobres. A falta d’água, a inflação nos preços dos gêneros alimentícios (ainda pior agora na seca), a especulação imobiliária, a carestia do valor dos alugueis são ocorrências fruto do desenvolvimentismo que atrapalham a vida de quem tem pouco pra sobreviver.

As autoridades municipais (e estaduais também) se preocuparam em atender as exigências e necessidades das empresas que vieram explorar a natureza e a força de trabalho. A população está exposta a radioatividade, como apontam várias pesquisas, pela mineração do Urânio; se vê removida para poder se construir a Ferrovia Oeste-Leste; sofre demais com a falta de água pela fala de planejamento para atender as necessidades das empresas mineradoras; tem suas terras griladas e desvalorizadas pelas empresas de Energia Eólica. E não se vê o poder público agindo para defender e dar boas condições de vida para o povo caetiteense.

O que vemos tanto no Brasil como em Caetité é o desenvolvimentismo, o economicismo que quer tornar o país numa potência econômica e não se preocupa com a melhoria da qualidade de vida do povo, com um país bom para se viver. Pois essa política está ao lado do grande capital e dos lucros exorbitantes e não da população como um todo.

Nesse cenário, percebe-se como é necessária a luta para a melhoria das condições de vida do povo, pela divisão do bolo que vem crescendo. Lutar por maiores investimentos na educação, na saúde, na cultura, na assistência social; bater de frente com o poder do capital; lutar por um mundo humanamente justo e socialmente igual.

Por Antônio Francisco Rodrigues de Freitas
Graduado em História e Militante do PSOL.

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