sexta-feira, 27 de abril de 2012

Greve de professores continua na Bahia; categoria faz enterro simbólico da educação

Greve de professores continua na Bahia; categoria faz enterro simbólico da educação
Professores da rede estadual de ensino decidiram manter a greve da categoria, após reunião realizada na manhã desta sexta-feira (27), na Assembleia Legislativa, no Centro Administrativo da Bahia (CAB). Após a assembleia, os docentes saíram em passeata pelas ruas do CAB para um enterro simbólico da educação no estado. “Estamos aqui carregando uma cruz para cada deputado que votou a favor do projeto de reajuste para fazer um enterro do projeto da educação na Bahia”, contou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (APLB), Rui Oliveira, que está acampado nas dependências da AL-BA com outras dezenas de professores desde o último dia 19. A categoria, que reivindica aumento linear de 22,22%, ficou descontente com a aprovação do Projeto de Lei 19.778/2012, que reajusta as remunerações da carreira do magistério público estadual do ensino fundamental e médio. Após as últimas declarações do secretário de Educação do Estado, Osvaldo Barreto, que assegurou que “o canal de diálogo nunca foi fechado”, o comando de greve solicitará uma audiência com o governador Jaques Wagner. “Vamos protocalar em pedido de audiência com o governador, já que o governo fica dizendo que o diálogo está aberto, mas não fala nada, não nos procura”, reclamou o presidente da APLB. Enquanto o impasse não é resolvido, estudantes da rede estadual continuam sem aulas e os professores permanecem acampados na AL-BA.


Por Patrícia Conceição, no sítio Bahia Notícias, nesse link: http://www.bahianoticias.com.br/principal/noticia/115180-greve-de-professores-continua-na-bahia-categoria-faz-enterro-simbolico-da-educacao.html

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Vitória ruralista, vergonha petista

Imagem da Internet.


Ontem, 25/04, a Câmara dos Deputados aprovou o novo Código Florestal. A decisão torna legal grande parte da destruição ambiental que já vinha sendo feita impunemente. O agronegócio aplaude. O governo esperneia, mas tem grande responsabilidade pela derrota.

Estavam em votação duas propostas ruins. A que veio do Senado e a do deputado Paulo Piau (PMDB/MG). Esta última era um pouco pior e foi aprovada. Um de seus pontos mais nocivos era a exclusão do texto aprovado de princípios que davam ao Código Florestal caráter de lei ambiental. Ou seja, prevaleceu a prioridade à exploração econômica das florestas.
A bancada do PT colaborou ao permitir que a matéria fosse votada em caráter de urgência. Mas a cumplicidade dos governistas já vem de longe. A destruição do Código Florestal começou em 24/05 do ano passado. Foi nesta data que a Câmara aprovou o início do processo para sua reforma. A decisão contou com o apoio de grande parte da bancada governista. Entre eles, 45 dos 80 petistas.
Às vésperas da Conferência Rio+20, as lideranças petistas dão mais uma demonstração de submissão à turma do dinheiro. As forças populares iniciam campanha para que Dilma vete a lei. Está correto, mas demonstra o quanto estamos reféns do esquema montado pelo lulismo. Sempre pedindo, sempre frustrados. Além disso, nada impede que eventuais vetos sejam derrubados logo depois de terminada a conferência ambiental.

Texto de Sérgio Domingues, extraído de http://www.diarioliberdade.org/opiniom/opiniom-propia/26584-vit%C3%B3ria-ruralista,-vergonha-petista.html

terça-feira, 24 de abril de 2012

Enxugando gelo para não tocar no essencial


Medidas de incentivo à indústria cortam impostos, desoneram folha de pagamento, prejudicam trabalhadores e não tocam no essencial: o câmbio sobrevalorizado e o alto custo de energia e comunicações. Fazer isso implica confrontar-se com interesses poderosos na sociedade.

Na terça, 2 de abril, o governo federal lançou uma nova etapa do chamado plano Brasil Maior, uma série de medidas destinadas a incentivar a produção manufatureira. A indústria brasileira vive uma crise. Além de reduzir sua participação relativa na formação do PIB, ela recua em termos absolutos de forma acelerada.

No pacote há incentivos fiscais, aumento de repasses ao BNDES para a concessão de crédito subsidiado e desonerações variadas. O objetivo é estimular 15 setores industriais, com uma ajuda de quase R$ 60 bilhões. Há medidas importantes. Só não se toca no essencial: a excessiva valorização cambial que torna produtos nacionais mais caros em relação aos estrangeiros.

Segundo o IBGE, o pico de participação da produção industrial no PIB caiu de 27,5% em 1985 para 14,6% em 2011. De outra parte, a participação de produtos primários na pauta de exportações brasileiras avançou dez pontos percentuais, de 41% para 51% entre 2007 e 2010. O avanço de commodities e a perda de competitividade industrial formam um conjunto perverso de reprimarização da economia.

Desoneração da folha
O centro das ações governamentais foi a desoneração das contribuições previdenciárias da folha de pagamentos por parte do patronato, atualmente em 20% do total. A partir de agora, para determinados ramos industriais, a contribuição incidirá sobre a receita bruta das empresas, independente do valor dos salários. É uma medida acalentada há décadas pelo empresariado.

Segundo cartilha distribuída pelo Ministério da Fazenda, a iniciativa “amplia a competitividade da indústria nacional, por meio da redução dos custos laborais, e estimula as exportações, isentando-as da contribuição previdenciária”.

Ou seja, para a administração petista, o suposto alto custo do trabalho no Brasil é o responsável pela perda de competitividade.

O consultor empresarial e atual Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, vai mais longe. No mesmo dia do anúncio do plano, ele declarou o seguinte: "Eu acho que o objetivo nosso é chegar até o final do mandato com a folha de pagamento do setor industrial brasileiro inteiramente desonerada”.

Pimentel pode estar querendo agradar sua clientela. Mas se a idéia prosperar, o governo Dilma Rousseff adotará medidas que nem mesmo a gestão tucana ousou tomar: cortar a principal fonte de financiamento da Seguridade Social, garantida pela Constituição de 1988. Pela Carta, a Seguridade, na qual a Previdência está inscrita, é financiada por recursos de empregados, empregadores e Estado. O artigo 195 define como fontes, além das contribuições de patrões e trabalhadores, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), entre outras.

Desonerar a folha integralmente, como quer o consultor, retirará recursos essenciais do setor. O curioso é que governo, empresários e mídia sempre alardeiam a existência de um nunca comprovado “déficit da Previdência”. Este, por sua vez, justifica eternas reformas privatizantes.

Valorização cambial
Mas as medidas recentes deixam de lado o essencial - o câmbio sobrevalorizado – e servem como paliativos de reduzida eficácia. Calcula-se que o real esteja 20% acima de um patamar que torne as exportações competitivas. Apenas nos dois primeiros meses deste ano, a moeda nacional valorizou-se 8,7% em relação ao dólar.

Há várias razões para o fenômeno. A principal delas é a altíssima taxa de juros, que atrai dinheiro especulativo aos magotes para o país. Com isso, elevam-se as reservas internacionais - 17,2% em um ano – que valorizam o real.

Até agora o governo tem adotado medidas tópicas para evitar a valorização, como seguidos leilões de dólares e o estabelecimento, no ano passado, de uma alíquota de 6% no imposto sobre operações financeiras (IOF). A taxação é irrisória diante das possibilidades de ganhos especulativos com o câmbio.

A ação que poderia fazer a taxa de câmbio convergir para patamares competitivos seria desestimular a entrada descontrolada de capitais através de um corte significativo da taxa de juros, que a deixasse em percentuais semelhantes aos praticados em outros países. Ou seja, uma taxa real menor que 1%. Em termos nominais – somada a inflação – isso equivaleria a uma redução de 4 pontos, reduzindo-se a Selic para cerca de 5,5% ao ano.

Fugindo do problema
Por que o governo não ataca a raiz do problema?

Porque trata-se de uma decisão política, que solapa grandes e médios interesses na sociedade. Quem mais se opõe a um corte profundo nos juros são os grandes credores da dívida pública (banqueiros e especuladores). Em seguida, há um setor da classe média alta, que tem investimentos bancários lastreados em títulos do tesouro. Em terceiro, os rendimentos da poupança, calculados com base na Selic e na Taxa Referencial (TR), seriam comprimidos.

Mas os ganhos para o país seriam imensos. Em primeiro lugar, não seria necessário drenar cerca de R$ 240 bilhões ao ano do orçamento da União para o financiamento da dívida pública. Com a queda dos juros, o dinheiro ficaria mais barato e o crédito poderia se expandir mais. E o câmbio se equilibraria, devolvendo a sonhada competitividade à indústria.

A valorização do dólar poderia acarretar um aumento da inflação no curto prazo. Com o câmbio atual, a oferta de produtos industriais estrangeiros baratos desestimula reajustes nos similares nacionais. Ou seja, o problema da farra dos importados é também – sob a ótica governamental – uma maneira de se segurar os preços internamente.

Energia nas alturas
Há outro fator decisivo a elevar os custos de produção internos. Trata-se dos preços de energia e telecomunicações, cotados entre os mais caros do mundo. Eles eram muito mais baratos quando os serviços eram oferecidos por empresas públicas.

Nos anos 1990, para tornar as estatais atraentes para o capital privado, uma garantia básica foi dada pelo governo FHC. Tratou-se de aplicar seguidos tarifaços, majorando os preços dos serviços em até 500% antes dos leilões. Assim, os concessionários teriam lucros rápidos e fáceis. A lembrança é de Aloysio Biondi, no clássico O Brasil privatizado.

Em curtíssimo tempo, a energia brasileira – sem que os novos donos colocassem um centavo de investimento novo – tornou-se uma das mais caras do mundo. A ironia da história é que o empresariado apoiou entusiasticamente as vendas das estatais e agora reclama dos preços, pedindo subsídios.

Novas e variadas toalhas
A vida não está fácil para a indústria brasileira. A enxurrada de emissões de dólares e de euros realizadas pelo Fed e pelo Banco Central Europeu tende a criar desvalorizações competitivas através de uma verdadeira guerra cambial, como definiu o ministro Guido Mantega, em 2009. A presidenta Dilma chamou recentemente o fenômeno de tsunami monetário.

Tudo bem, mas não adianta reclamar. É o mesmo que o Palmeiras apresentar queixa ao Corinthians por este marcar muitos gols contra o escrete do Parque Antártica. Faz parte. O essencial é cada time reforçar sua defesa.

O governo pode fazer frente ao jogo bruto da finança global atacando a raiz do problema. E não mostrando novas e variadas toalhas com as quais pretende continuar exercendo a arte de enxugar gelo, além de atacar direitos dos trabalhadores.
Gilberto Maringoni, jornalista e cartunista, é doutor em História pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de “A Venezuela que se inventa – poder, petróleo e intriga nos tempos de Chávez” (Editora Fundação Perseu Abramo).

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Estado Futebolístico de Exceção, por Chico Alencar


O manifesto dos tenentes rebelados em São Paulo, em 1924, denunciava: "O Brasil está reduzido a verdadeiras satrapias, desconhecendo-se completamente o merecimento dos homens e estabelecendo-se como condição primordial, para o acesso às posições de evidência, o servilismo contumaz".

Passados 88 anos, um anacrônico servilismo emoldura as iniciativas nas 12 cidades-sede da Copa de 2014 e nas alterações legais que o Congresso Nacional está votando para receber o megaevento.

Sobra subserviência, falta transparência: os compromissos do governo com a Fifa, assinados em 2007, seguem cercados de mistério. As informações sobre gastos e etapas das obras, nos portais oficiais, são contraditórias e incompletas.

O processo de remoção de moradias, que pode afetar 170 mil pessoas, desrespeita o princípio do "chave por chave", que diz que ninguém pode ser despejado de sua casa sem receber outra, próxima e melhor.

O projeto da Lei Geral da Copa - bem mais do que uma "lei do copo de cerveja" nas partidas - transforma o Brasil em protetorado de interesses mercantis.

Ele "expulsa de campo" a legislação nacional que regula concorrência, patentes, direitos do consumidor, transmissões esportivas, gastos orçamentários, publicidade, punição a delitos e até calendário escolar. A lei das licitações já fora "escanteada" pelo Regime Diferenciado de Contratações. Uma entidade privada internacional impõe legislação excepcional, garantindo isenções fiscais a mais de mil produtos!

O projeto aprovado na Câmara assegura megaprivilégios à Fifa. O Inpi vira um "cartório particular", com regime especial para pedidos de registro de "marcas de alto renome" apresentadas pela entidade.

Libera-se uma associação suíça de direito privado do pagamento de custos e emolumentos exigidos a todos que requerem registro de marca no Brasil. Trata-se de uma renúncia fiscal longa e onerosa!

O projeto afronta até um preceito defendido pelos liberais de todos os matizes: o da livre iniciativa.

Isto é evidenciado ao se "assegurar à Fifa e às pessoas por ela indicadas a autorização para, com exclusividade, divulgar suas marcas, distribuir, vender, dar publicidade ou realizar propaganda de produtos e serviços, bem como outras atividades promocionais ou de comércio de rua, nos locais oficiais de competição, nas suas imediações e principais vias de acesso".

Prevê-se também que será objeto de sanções -como prisão de três meses a um ano- a "oferta de provas de comida ou bebida, distribuição de panfletos ou outros materiais promocionais (...), inclusive em automóveis, nos locais oficiais de competição, em suas principais vias de acesso ou em lugares que sejam claramente visíveis a partir daqueles".

O "Estado Futebolístico de Exceção" cria suas "zonas de exclusão".

A União fica também obrigada a disponibilizar, sem quaisquer custos para a Fifa, "a segurança, serviços de saúde, vigilância sanitária e alfândega e imigração".

Além de disponibilizar gratuitamente todos esses serviços para um evento privado, o Brasil também se responsabiliza por quaisquer acidentes que venham a ocorrer.

Fifa, que ganhou na África do Sul mais de R$ 7,2 bilhões só com radiodifusão e marketing, "marca sob pressão" as nossas autoridades. Em 2011, já faturou R$ 1,67 bilhão com vendas vinculadas à Copa de 2014. Medidas provisórias poderão ser editadas "na prorrogação" para garantir os resultados esperados.

No lugar de caixinha de surpresas, o futebol se transforma em um instrumento para nutrir a caixa-registradora da Fifae dos seus sócios

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Últimas informações sobre a greve dos professores na Bahia: Manifestação na Governadoria.

Reportagem do sítio Bahia Notícias. Original no link: http://www.bahianoticias.com.br/principal/noticia/114700-professores-marcham-ate-a-governadoria-no-cab.html



Professores marcham até a Governadoria, no CAB

Os professores estaduais grevistas e estudantes ocuparam, na manhã desta quarta-feira (18), o acesso à sede da Governadoria, no Centro Administrativo da Bahia (CAB), em Salvador. Os educadores baianos estão em greve há uma semana. Os manifestantes utilizaram faixas e carros de som para chamar a atenção do governador Jaques Wagner (PT) quanto às reivindicações da categoria. Eles exigem o cumprimento do acordo de reajuste de 22,22% no piso nacional por parte da administração estadual. Os docentes estão de braços cruzados em Salvador, e na maioria das cidades do interior, mesmo após a Justiça declarar a ilegalidade do movimento. Na última segunda (16), a categoria entrou com um recurso para derrubar a decisão. Nesta terça (17), o pedido de urgência-urgentíssima para a votação do projeto do Executivo que reajusta o salário dos docentes foi aprovado na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA). O presidente da Casa, Marcelo Nilo (PDT), prometeu votar a proposta na próxima terça (24), mas sem permitir a presença dos grevistas. Com a paralisação, cerca de 1,2 milhão de estudantes está fora das salas de aula.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Reflexão sobre a greve de professores na Bahia

Segue uma excelente reflexão sobre a greve dos professores estaduais da Bahia. Texto recebido via e-mail.


Elisângela Sales Encarnação - Professora da educação básica da rede estadual de ensino público do Estado da Bahia. Graduada, especialista e mestre em História.


Entra ano e sai ano e nós, profissionais da educação, repetimos nas escolas, nas salas de aula, na sala dos professores, em casa, em conversa com amigos, na mídia.... o quanto nossos salários são baixos, o quanto a nossa profissão é desvalorizada, o descaso dos governantes a respeito da educação, que os pais não dão valor a educação dos filhos, e até que nossos alunos são desinteressados e não sabem da importância que a educação tem na vida deles. Exigimos o respeito que a nossa profissão, que a nossa função social, que os anos de estudos, que o árduo trabalho diário de lidar com centenas de crianças e/ou adolescentes merece. Mas, quando chega um momento crucial como esse, em que uma greve de professores é deflagrada porque um governante se recusa a cumprir o acordo por ele assumido, que tentou por meio de diferentes manobras fazer com o quereajuste dos professores de todo o Estado brasileiro fosse inferior ao que a presidenta determinou, em cumprimento da lei (ratificada pelo supremo Tribunal de Justiça), é que percebemos que RESPEITO É PRA QUEM SE RESPEITA.
É muito triste que num momento crucial como esse, onde a nossa categoria de professores deveria estar unida para que enfrentássemos os muitos percalços que a decisão tomada na ultima quarta-feira vai nos gerar na mídia, nas declarações do governador (se ele se der ao trabalho), do secretário de educação, de alunos, dos pais de alunos, tenhamos muitas vezes que lutar para convencer nossos próprios colegas a aderir ao movimento que luta para o bem e pelos direitos de todos os professores. Alguns munidos de argumentos como: “a greve não vai dar em nada”; “vai prejudicar apenas a nós professores, e aos alunos, pois o governo não  nem aí”; “vai sacrificar nossos sábados e merecidas férias do final do ano”, ou até, “eu já ganho acima do piso”, então, para que lutar?
O clima de derrotismo tomou conta dos professores baianos em decorrência do constante desrespeito do atual governo com a educação, desde seu primeiro mandato, quando ele foi o primeiro governador a zerar os contracheques dos professores porque estes estavam em greve ou a ser irredutível na perspectiva de que só negociaria se voltássemos a trabalhar (a nós tratar como cachorros que colocam o rabo entre as pernas quando o dono bate o pé).  Mas, não somos os únicos a nos sentir assim derrotados, humilhados, com medo. Basta lembrar o tratamento autoritário e desrespeitoso dado aos policiais em greve recente (não quero, com isso, abonar as falhas de alguns policiais). É o funcionalismo público baiano que se sente assim, diante de postura tão agressivamente autoritária do atual governador, que nos faz questionar: cadê a sensibilidade do sindicalista de outrora?
Para esses colegas, só gostaria de lembrar que, na história, nenhum ganho social veio sem luta. Luta que custou, muitas vezes, a vida e a liberdade de muitas pessoas. Todos os direitos alcançados, o foram com sangue , suor e lágrimas. E agora vamos desistir porque precisaremos trabalhar nos sábados e sacrificar as férias? E os muitos mortos, presos e torturados para que pudéssemos ter direitos iguais, direito ao voto e à participação política? Direito à vida e à liberdade, direito de ir e vir, de expressar nossas opiniões, os direitos trabalhistas: jornada de trabalho, férias, salário mínimo, seguro desemprego, licença maternidade, e tantos outros mais? Estamos, quando evocamos essas perdas mínimas que teremos, desrespeitando a luta e a vida dessas pessoas. E, quando dizemos que não vamos ganhar nada agora, esquecemos que muitos morreram sem ver os frutos de sua luta, mas nem por isso eles deixaram de vir. Muitas vezes não lutamos para ganhar, e sim, para não nos deixarmos vencer pelo autoritarismo, pela tirania, pela intolerância.
No Brasil, hoje, virou moda declarar as greves ilegais e punir os sindicatos e trabalhadores com multas absurdas. Há, em curso, um processo de criminalização das greves. Esse direito histórico, que nos rendeu muitas vitórias sociais importantes, que corrigiu situações criminosas e até de atentados á vida (dado as condições desumanas, insalubres, extenuantes de trabalho de algumas categorias), passou a ser cerceado pela justiça que com isso vem paralisando os trabalhadores que dispõem de poucos meios para fazer valerem seus direitos. No entanto, essa mesma justiça não tem a mesma celeridade para corrigir os abusos trabalhistas, fazer valerem acordos firmados entre empregados e empregadores, não se apresenta como caminho possível, para o qual podemos apelar, quando nos sentimos lesados, desrespeitados em nossos direitos de trabalhador.
No caso dos trabalhadores da educação, uma questão me inquieta, e creio que seja importante nos perguntarmos: por que, das profissões de maior prestígio no nosso país em séculos passados, só o magistério perdeu seu brilho? Isso não ocorreu com médicos, advogados, engenheiros, que continuam sendo respeitados pela sociedade e bem melhor remunerados do que os professores.
O atual descaso com a educação brasileira não é algo recente. Alguns estudiosos o localizam no processo de ampliação do ensino público, especialmente quando este passou a abarcar os pobres, na década de 1930. Outros discutem os vários mecanismos utilizados durante a Ditadura Militar brasileira (1964-1985), que acabaram por desestruturar a educação: diminuir sucessivamente suas verbas (em contraposição à ampliação de sua oferta); a perseguição de professores, a vigilância das escolas e de seus profissionais, a perseguição e desintegração de entidades de classe ( estudantis e dos profissionais da educação); a mudança curricular (imposição de EMC, OSPB e Estudos Sociais no lugar de História, Geografia, Filosofia e Sociologia); o rebaixamento salarial do professorado; os cursos de licenciatura de curta duração, etc.
No processo de redemocratização política, a partir de 1985, apesar da educação servir de bandeira para todo e qualquer político que subisse num palanque desde então, seja qual for sua cor política, nenhum deles cumpriu suas promessas eleitorais de fazer da educação um dos pilares da governança brasileira.
 Não é por acaso que a nossa profissão caiu no descrédito, e que somos desrespeitados todos os dias por governantes, mídias, sociedade, alunos e pais de alunos. Que somos agredidos psicologicamente, moralmente, profissionalmente e até fisicamente por aqueles que deveriam ser nossos parceiros na difícil tarefa de educar as novas gerações. É isso o que acontece cotidianamente, e em momentos como esses, em que os professores chegam ao seu limite e decidem pela greve, vemos estes agentes, muitas vezes, vir á público para culpar, detratar e até execrar publicamente a postura dos professores. Isso porque, segundo eles, no final, os alunos são os únicos prejudicados. Onde estavam esses profundos, atuantes e vorazes defensores da educação quando: os alunos não têm aulas, porque não há professores (por insuficiência no número de professores nas redes estadual e municipal, por falta de professores concursados em determinadas áreas ou localidades, por licença médicas, e tantas outras situações? E QUE FIQUE BEM CLARO: NESSES CASOS, AS AULAS NÃO SÃO REPOSTAS!). E o governo, na sua morosidade, leva meses para sanar esse problema! Quando escolas, até a presente data, ainda não começaram as aulas devido à não realização de reformas indispensáveis a seu início(reformas essas que deveriam ter sido feitas durante o recesso letivo); ou quando os governantes não repassam as verbas para as escolas, por conta, segundo eles, da burocracia, e elas precisam fazer milagres para manterem-se abertas e funcionando (ESSE É O CASO DA BAHIA NO MOMENTO); ou quando falta a merenda; ou quando professores e alunos precisam trabalhar e estudar, respectivamente, em salas mal iluminadas, sem ventilação, extremamente quentes (no calor nordestino, baiano que conhecemos), e, no período das chuvas, goteiras por todos os lados...Essa lista poderia se estender de forma quase que interminável, mas, nada disso prejudica o aluno! O governo, com seu descaso; a mídia, com seus produtos “de alta qualidade”; a sociedade, com seu consumismo; alguns pais, com sua falta de tempo; NADA DISSO PRENJUDICA O ALUNO! A ÚNICA COISA QUE O FAZ, É GREVE DE PROFESSOR.
Reconquistar nossa auto-estima, auto-respeito, amor-próprio: é o que o professor precisa de forma urgente! Só nós podemos fazer isso por nós mesmos. PRECISAMOS NOS SENTIR, ANTES DE TUDO, DIGNOS DE RESPEITO, PARA SERMOS RESPEITADOS. Precisamos assumir nossas extensas responsabilidades e exigirmos, de igual forma, nossos direitos (até mesmo para termos condições de falar de cidadania para nossos alunos).

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Greve dos Professores Estaduais da Bahia. Professores estaduais de Caetité aderiram.

Na quarta-feira, dia 11 de abril de 2012, os professores da rede estadual de ensino da Bahia, em Assembleia Geral, decretaram greve por tempo indeterminado. Eles pedem o cumprimento do reajuste salarial de 22,22% sobre o piso nacional, o que ainda não foi feito pelo governador Jaques Wagner (PT).
Em Caetité os professores das escolas estaduais aderiram a greve e lançaram uma carta aberta à população.

CARTA ABERTA À POPULAÇÃO DE CAETITÉ
Os professores da Rede Estadual de Ensino lotados nas escolas de Caetité, comunicam a toda sociedade sua adesão à greve deflagrada pelo Sindicato da categoria no dia 11 do mês em curso. Portanto, após deliberação em assembleia convocada pela Comissão de Greve local, não haverá aulas, por tempo indeterminado, nos seguintes estabelecimentos de Ensino: Colégio Estadual Tereza Borges de Cerqueira, Escolas reunidas do Seminário São José, Escola de Aplicação Anexa ao IEAT, Centro Territorial do Sertão produtivo, Colégio Estadual Pedro Atanásio Garcia, Centro de Educação Especial Ielita Neves Cotrim e Instituto de Educação Anísio Teixeira.
A greve acontece após muitas tentativas de negociação com o Governo do Estado no sentido de garantir, entre outras reivindicações, o pagamento do reajuste de 22,22% a todos os professores, em conformidade com a Lei Federal e acordo assinado pelo Governador do Estado, reiteradamente descumprido, pagamento do adicional noturno, extensão da carga horária, concessão do vale transporte, redução da atividade de classe, pagamento da URV (que já conta com decisão judicial favorável, também descumprida pelo Governo do Estado). Assim, não há por parte dos profissionais da educação nenhuma intransigência ou radicalismos, somente entramos em greve por que o Governo do Estado insiste em negar aos seus professores direitos líquidos e certos e o mínimo de dignidade.
Temos plena consciência das consequências negativas que tal movimento acarreta ao desenvolvimento do ano letivo e nos comprometemos a negociar, no tempo devido, a melhor forma de minimizar tais impactos na vida escolar dos alunos, razão maior do nossa missão de educador. Queremos uma escola onde o aluno aprenda cada vez mais e os professores e demais servidores possam exercer as suas atividades em condições realmente dignas. E dignidade na educação, para nós, não se resume ao aspecto salarial, mas também na valorização dos servidores, melhores instalações físicas, contratação de mais profissionais via concurso público (incluindo-se servidores administrativos, que há décadas não são admitidos na rede estadual de ensino, a não ser através de contratos temporários). Há também que se melhorar, e muito, as condições de pesquisa oferecidas aos nossos alunos, tais como bibliotecas atualizadas e com acervo suficiente, espaços de convivência devidamente equipados, recursos midiáticos facilitadores do ensino e da aprendizagem, capacitação continuada de todos os profissionais do ensino, dentre outros.
Cientes de que nossa causa é justa e merecerá o apoio da comunidade que servimos, esperamos contar com a compreensão e colaboração dos alunos e seus familiares. Os professores da rede estadual estão em greve, mas esta luta é de todos nós!
Caetité, 12 de abril de 2012
A Comissão

quinta-feira, 12 de abril de 2012

2014: Entre a copa e o golpe

2014 será muito mais do que o período da copa do mundo presidida pelo capital internacional no nosso território
11/04/2012

Roberta Traspadini

Viveremos em 2014 dois momentos que deverão disputar nossa reflexão sobre as últimas décadas do processo de desenvolvimento brasileiro.
O País do futebol narrado nas mídias e executado em obras de parceria público-privada, não é compatível com o País em que parte de seu povo é retirada de seus territórios para dar passagem ao progresso.
Se por um lado, a copa do mundo movimenta todo o sentido político-econômico da Nação, por outro lado, em 2014, estaremos além de lamentando o penoso Golpe Militar brasileiro sobre nós militantes sociais, reforçando nosso vivo grito político contra os 50 anos do golpe.
1964 é momento para se lembrar. A direita instaura sob um regime de exceção, uma ditadura que garantirá a ordem do progresso no território brasileiro.
Esta ordem, em conformidade com a hegemonia norte-americana no mundo, tem como palco a guerra fria e a projeção de dois modelos de desenvolvimento antagônicos: capitalismo versus socialismo.
A vivência no território nacional, de uma política projetada pelos Estados Unidos no continente, conforma um jeito político de ser e transforma a cidadania militar, como a âncora da moral e cívica desta época.
O sentido de Nação, o amor à Pátria e aos seus símbolos e a alusão ao progresso, liderado pelo petróleo é nosso, nos remete à discussão sobre as vidas de quem a ditadura agiu.
Agiu contra os indivíduos e as organizações religiosas, políticas, sociais, que reivindicavam o direito democrático à indagação, à contestação à ordem, através da música, das artes, das universidades, dos partidos, dos sindicatos,entre outros.
É por seu sentido militar contra os indivíduos que ousaram gritar, quando a ordem era calar, que a ditadura, além de lamentação necessita ser protesto protagonizado pelos que se indignam contra as atrocidades cometidas.
Neste protesto, dois pontos merecem destaque no resgate da memória:
1) os militantes quem foram torturados, exilados, mortos-desaparecidos; 2)os indivíduos que foram (vivos ou mortos hoje) os torturadores, no mando e na execução destes reais crimes humanitários.
É vital darmos visibilidade aos nossos militantes torturados, desaparecidos e aos torturadores da direita. A primeira nos guiará rumo ao sentido político sobre o porquê de nossas lutas e os perigos dos enfrentamentos para aqueles que ousamos lutar, referenciados pelos nossos grandes nomes. A segunda nos permitirá, no levante popular pela verdade, explicitar as armas utilizadas pelos inimigos para nos calar, matar.
Existe uma diferença substantiva entre torturados-torturadores: nossos militantes políticos, torturados, estão mortos (enterrados ou desaparecidos) e viveram, quando resistiram, exílios forçados. Já os torturadores, militantes políticos da direita, ou estão vivos na memória como defensores da Pátria, ou estão bem velhos o que aparentemente os descaracteriza como criminosos.
As marcas dos rostos, das mãos e a curvatura dos corpos dos torturadores, encobrem a sujeira de um passado que no presente exige um levante popular pela verdade.
Em nossa América, quem tem se levantado para trazer à tona este tema é a juventude. Um belo trabalho de formação política ancorado na memória de nossas lutas vivas. Um exemplo, para os que duvidam da formação da consciência em tempos de crises e de que a luta de classes segue como o motor da nossa história.
2014 será muito mais do que o período da copa do mundo presidida pelo capital internacional no nosso território. Será o momento de, junto com a juventude, massificarmos os levantes populares contra o esquecimento, contra o perdão e pela dignidade humana no nosso território de luta, e para além das fronteiras nacionais.
Se em 1970 a copa do mundo do México, arrastou o slogan dos 90 milhões em ação, ocultando o desenvolvimento desigual e combinado que imperaria, em 2014, os quase 200 milhões em ação, viverão, via copa do mundo, a ocultação de quais elementos do atual projeto de desenvolvimento?
Roberta Traspadini é economista, educadora popular e integrante da Consulta Popular/ES.
Original no sítio do Brasil de Fato, aqui: http://www.brasildefato.com.br/node/9307

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Hamilton Assis é o pré-candidato consensual do PSOL a prefeito de Salvador



O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) de Salvador realizou neste sábado, 10, seu 3º Congresso Municipal. Todas as decisões foram tomadas por consenso e aprovaram-se resoluções sobre a conjuntura, a tática eleitoral, eixos programáticos para Salvador, a organização do partido e a eleição do Diretório Municipal.

Hamilton Assis, pedagogo, ex-candidato a vice-presidente na chapa de Plínio de Arruda Sampaio em 2010, foi escolhido por unanimidade como pré-candidato do PSOL a prefeito de Salvador e também eleito consensualmente presidente do partido na capital.

Foi aprovada uma visão de conjuntura afirmando-se que "vivemos um período onde nunca antes na História do Brasil a hegemonia do capital esteve tão estável e garantida por um pacto entre partidos de origem na esquerda, o grande empresariado e a grande mídia. Por outro lado cresce a resistência popular aos ataques do capital sobre trabalhadoras e trabalhadores", informa Hamilton Assis.

Com relação à conjuntura municipal o PSOL avaliou que administração de João Henrique se tornou em um desastre para a cidade principalmente para as populações pobres que depende dos serviços públicos e que os partidos que hoje articulam candidaturas de oposição à administração municipal, a exemplo do PSBD, PMDB, PT, DEM e PCdoB, também são responsáveis por tudo isso, pois estiveram na base de sustentação de João Henrique durante todo o seu mandato.

O PSOL também definiu os eixos de um "Programa Democrático e Popular para o Município de Salvador" que compreende a democratização da gestão pública, com a introdução do planejamento integrado e participativo que se articulará com um Congresso da cidade; sustentabilidade urbana e ambiental que implicará na revisão do PDDU, aprovado de forma ilegal pela Câmara de Vereadores e, a elaboração de um padrão de sustentabilidade urbana que subordine a expansão da cidade às determinantes sócio ambientais que tenham como meta a viabilização de uma melhor qualidade de vida para todos os habitantes da cidade principalmente aqueles que moram nos bairros periféricos; por fim, garantia dos direitos sociais assegurando a qualidade, efetividade e acesso ao serviço público; emprego e renda, moradia, mobilidade urbana, saúde, segurança e educação de qualidade como direitos elementar para o exercício da cidadania.

Hamilton Assis acrescenta que "para efetivar este programa o PSOL propõe estabelecer aliança com os partidos de esquerda socialista e vai buscar forma uma frente de oposição de esquerda com PCB e PSTU, sendo que o PCB já tem posição favorável. No encontro também foi indicada uma lista inicial de pré-candidatos a vereador, que o partido espera completar, alcançando cerca de 60 candidatos e assim buscar eleger uma bancada na Câmara".

"Sobre a organização do partido em Salvador, a resolução diz que o PSOL já demonstrou a sua viabilidade. A continuidade passa necessariamente pelo fortalecimento dos núcleos, instâncias de base do partido; pelo aperfeiçoamento da democracia interna; critérios politizados de filiação e militância; a elaboração e aplicação de um estatuto que assegure o controle da direção partidária pela base militante; o estabelecimento de canais de comunicação permanentes com o conjunto da militância, e a sociedade civil organizada; e consolidação da unidade partidária. Por fim Hamilton Assis afirmou em seu discurso de posse que a prática e a reflexão constante sobre ela será o único meio de construirmos diariamente nosso projeto socialista de mundo. Ousar lutar venceremos!", finaliza Hamilton Assis.

domingo, 8 de abril de 2012

Ivan Valente manifesta-se contra a privataria na TV e Rádio Cultura de São Paulo

Senhor Presidente, senhoras e senhores Deputados,
Aconteceu na noite desta terça-feira (3/04), em São Paulo, um grande ato chamado por organizações da sociedade civil, movimentos populares, funcionários e ex-funcionários contra o brutal desmonte das rádio e TV Cultura, que vem sendo implementado pela gestão Sayad, num dos mais sérios ataques ao patrimônio público paulista feito pelo governo tucano. Nosso mandato esteve presente no ato e desde já apóia a série de iniciativas e mobilizações que serão feitas para que as emissoras não sejam desmanteladas pela lógica privatista que vigora nas gestões do PSDB, e que não poupa sequer a comunicação pública em nosso estado.
Entre as ações que estão sendo planejadas pelos movimentos estão a realização de audiências públicas na Assembléia Legislativa de São Paulo e também aqui na Câmara, já proposta pela deputada Luiza Erundina; a realização de uma ampla auditoria nas contas da Fundação Padre Anchieta; ações jurídicas em parceria com os sindicatos, para enfrentar as demissões em massa que estão ocorrendo nas emissoras; e a luta pela interrupção imediata dos programas cedidos a grupos de comunicação privados, como o jornal Folha de São Paulo, que simbolizam o ápice deste processo de privatização do espaço da comunicação pública da TV Cultura.
Na próxima segunda-feira, dia 9 de abril, acontece mais uma reunião do Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta. O movimento pedirá para ser ouvido, já que este deveria ser o lócus principal de interlocução da Cultura com a sociedade paulista. No dia 16 de abril, quando será escolhido o novo presidente do Conselho Curador, também deve acontecer nova mobilização das organizações. Estaremos presentes, exigindo o fim do desmonte das rádios e TV Cultura e a retomada do caráter público das emissoras, que tanto contribuíram e devem seguir contribuindo na informação e formação cultural do povo paulista.
Registro abaixo o manifesto em defesa da Cultura, elaborado pelas entidades, movimentos e funcionários e ex-funcionários da Fundação Padre Anchieta, e que retrata bem os ataques que as emissoras vem sofrendo. O PSOL faz parte desta luta. Contem com o nosso mandato e todo o apoio do Partido Socialismo e Liberdade!
Muito obrigado,
Ivan Valente
Deputado Federal PSOL/SP
Contra a privataria na TV e rádio Cultura de São Paulo
As rádios e a TV Cultura de São Paulo se consolidaram historicamente como uma alternativa aos meios de comunicação privados. As rádios AM e FM ficaram conhecidas pela excelente programação de música popular brasileira e de música clássica. A televisão criou alguns dos principais programas de debates de temas nacionais, como o Roda Viva e o Opinião Nacional, e constituiu núcleos de referência na produção de programas infantis e na de musicais, como o Ensaio e o Viola, Minha Viola. As emissoras tornaram-se, apesar dos percalços, um patrimônio da população paulista.
Contudo, nos últimos anos, a TV e as rádios Cultura estão passando por um processo de desmonte e privatização, com a degradação de seu caráter público. Esse e outros fatos se destacam:
- mais de mil demissões, entre contratados e prestadores de serviço (PJs);
- extinção de programas (Zoom, Grandes Momentos do Esporte, Vitrine, Cultura Retrô, Login) e tentativa de extinção do Manos e Minas;
- demissão da equipe do Entrelinhas e extinção do programa, sem garantias de que ele seja quadro fixo do Metrópolis;
- aniquilação das equipes da Rádio Cultura e estrangulamento da equipe de jornalismo;
- enfraquecimento da produção própria de conteúdo, inclusive dos infantis;
- entrega, sem critérios públicos, de horários na programação para meios de comunicação privados, como a Folha de S. Paulo;
- cancelamento de contratos de prestação de serviços (TV Justiça, Assembleia e outros);
- doação da pinacoteca e biblioteca;
- sucateamento da cenografia, da marcenaria, de maquinaria e efeitos, além do setor de transportes.
Pela sua composição e formato de indicação, o Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta não tem a independência necessária para defender a Cultura das ações predatórias vindas de sua própria presidência. Mesmo que tivesse, sobre alguns desses pontos o Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta sequer foi consultado.
Não podemos deixar esse patrimônio do povo de São Paulo ser dilapidado, vítima de sucateamento promovido por sucessivas gestões sem compromisso com o interesse público, seriamente agravado na gestão Sayad.
Nesse momento, é preciso afirmar seu caráter público e lutar pelos seguintes pontos:
- Contra o desmonte geral da rádio e TV Cultura e pela retomada dos programas.
- Em defesa do pluralismo e da diversidade na programação.
- Por uma política transparente e democrática para abertura à programação independente, com realização de pitchings e editais.
- Pela democratização do Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta