Todo apoio à greve nas Instituições Federais de Ensino Superior.
Segue pronunciamento do Deputado Federal Chico Alencar do PSOL/RJ.
Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados e todo(a)s o(a)s que assistem a esta sessão ou nela trabalham:
Já são 47 Universidades Federais que paralisaram suas aulas em todo país – outras ainda devem confirmar greve nos próximos dias. As mobilizações são consequência do descumprimento de acordo firmado entre o Governo Federal e a categoria para a reestruturação da carreira.
O(a)s docentes pleiteiam mudanças nos níveis da carreira, elevação do piso - para o salário mínimo do Dieese, atualmente calculado em R$ 2.329,35 -, incorporação de gratificações e unificação entre professores do ensino superior e da educação básica das IFES.
Os professores e servidores protestam ainda contra as mudanças estabelecidas pela MP 568, que fixa valores nominais para os adicionais de Insalubridade e Periculosidade - apresentei proposta de emenda à MP para corrigir esta distorção.
As reivindicações salariais se inserem num processo de precarização das Universidades Federais, que se seguiu à ampliação de vagas. O professor Luiz Henrique Schuch, do Comando Nacional de Greve, esteve essa semana aqui na Comissão de Educação e afirmou que “nós vimos de um momento recente de criação de novos cursos e campi, mas com grande preocupação neste momento de regredirmos, rompendo o compromisso de buscar padrão de qualidade. É essa a avaliação que o movimento grevista tem, em relação a sinais recentes de alteração para pior do paradigma do sistema federal de ensino”.
Os estudantes também têm deflagrado greves, em solidariedade aos professores, também para somar um conjunto de reivindicações específicas de cada curso na disputa de projeto de educação democrático e socialmente referenciado em cada universidade pública.
Até o momento os Ministérios do Planejamento e da Educação não estabeleceram uma agenda de negociações. Preocupados com a intransigência do Governo, constituímos na Comissão de Educação uma comitiva para se reunir no dia 12/06 com o Ministro da Educação, Aloizio Mercadante. Estarei junto para acompanhar e cobrar!
Aproveito para registrar nos Anais da Casa nota da Associação Nacional dos Docentes – Andes, em que os professores explicam os motivos da greve à sociedade brasileira:
A defesa do ensino público, gratuito e de qualidade é parte essencial da história do Sindicato Nacional das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN), assim como a exigência da população brasileira, que clama por serviços públicos, com qualidade, que atendam às suas necessidades de saúde, educação, segurança, transporte, entre outros direitos sociais básicos.
Os(as) professores(as) federais estão em greve em defesa da Universidade Pública, Gratuita e de Qualidade e de uma carreira digna, que reconheça o importante papel que os docentes têm na vida da população brasileira.
O governo vem usando seguidamente o discurso da crise financeira internacional como justificativa para cortes de verbas nas áreas sociais e para rejeitar todas as demandas feitas pelos servidores públicos federais por melhores condições de trabalho, remuneração e, consequentemente, qualidade no serviço público.
A situação provocada pela priorização de investimentos do Estado no setor empresarial e financeiro causa impacto no serviço público, afetando diretamente a população que dele se beneficia.
Pela reestruturação da carreira
Há anos os(as) professores(as) vêm lutando pela reestruturação do Plano de Carreira da categoria, por acreditarem que essa reivindicação valoriza a atividade docente e, dessa forma, motiva a entrada e permanência dos profissionais nas instituições federais de ensino. No ano passado, o ANDES-SN assinou um acordo emergencial com o governo, que previa, como um dos principais pontos, a reestruturação da carreira até 31 de março de 2012. Já estamos na segunda quinzena de maio e nada aconteceu em relação a essa reestruturação.
Para reestruturação da carreira atual, desatualizada e desvirtuada conceitualmente pelos sucessivos governos, o ANDES-SN propõe uma carreira com 13 níveis, variação remuneratória de 5% entre níveis, a partir do piso para regime de trabalho de 20 horas, correspondente ao salário mínimo do DIEESE (atualmente calculado em R$2.329,35) A valorização dos diferentes regimes de trabalho e da titulação devem ser parte integrante de salários e não dispersos em forma de gratificações.
Pela melhoria das condições de trabalho nas Instituições Federais
O começo do ano de 2012 evidenciou a precariedade de várias instituições. Diversos cursos em Instituições Federais de Ensino – IFE tiveram seu início suspenso ou atrasado devido à precariedade das Instituições.
O quadro é muito diferente do que o governo noticia. Existem instituições sem professores, sem laboratórios, sem salas de aula, sem refeitórios ou restaurantes universitários, até sem bebedouros e papel higiênico, afetando diretamente a qualidade do ensino.
Ninguém deveria ser submetido a trabalhar, a ensinar ou a aprender num ambiente assim. Sofrem professores, estudantes e técnicos administrativos das Instituições Federais de Ensino. E num olhar mais amplo, sofre todo o povo brasileiro, que utilizará dos serviços de profissionais formados em situações precárias e que, se ainda não têm, pode vir a ter seus filhos estudando nessas condições.
Por isso convidamos todos a se juntarem à nossa luta. Essa batalha não é só dos(as) professores(as), mas de todos aqueles que desejam um país digno e uma educação pública, gratuita e de qualidade.
Para saber mais sobre a greve e as negociações com o governo acesse: www.andes.org.br
Agradeço a atenção,
Sala das Sessões, 31 de maio de 2012
Chico Alencar
Deputado Federal, PSOL/RJ.





