quarta-feira, 30 de maio de 2012

NOTA DO PSOL CAETITÉ SOBRE A GREVE DOS PROFESSORES DO ESTADO DA BAHIA


A greve dos profissionais da educação, iniciada no dia 11 de Abril, chega aos cem dias de greve. E mais uma vez os professores encontram pouco apoio na sociedade e meios de comunicação. Fato é que, com tantas greves na área de ensino deflagradas nesses últimos anos, já é possível observar alguns discursos prontos para tais ocasiões.

Infelizmente um governo cuja origem foi construída nos meios sindicais, hoje tem o hábito de se apoiar em notas onde o judiciário declara diversas greves como sendo ilegais. Nos últimos anos esse tem sido o ponto de partida do governo. Argumentos como o de ter reajustado os salários em vários por cento nos últimos anos, sendo maior que a média nacional já faz parte da campanha do PT Bahia em desmoralizar qualquer greve no Estado. E como bem observaram os companheiros do PSOL Salvador, o que se omite é o flagrante descumprimento por parte do governo estadual da Lei do piso salarial nacional dos professores (Lei 11.738/2008), não seria essa a primeira e mais grave ilegalidade? Até a presente data da greve, não vimos nenhum pronunciamento judicial que determinasse por parte do executivo estadual o óbvio cumprimento da Lei do Piso.  O que vemos é a falta de compromisso em cumprir acordos feitos com as classes trabalhadoras nos últimos anos. A greve em questão eclodiu após o governo não cumprir um aumento prometido em 2007, onde os salários dos docentes da Bahia seriam equiparados as metas do piso salarial nacional dos professores. Uma vergonha termos a certeza de que o Partido dos Trabalhadores ignora as justas reivindicações dos trabalhadores do Estado. Ao contrário do que prometeu em suas campanhas, o PT Bahia gasta pouco com os trabalhadores, reduzindo investimentos como no PLANSERV, em contrapartida, aumenta seus gastos com viagens ao exterior, sendo Jaques Wagner o governador que mais viaja para fora do país, viagens essas feitas com recursos públicos, e gastos absurdos com obras para a Copa do Mundo, sendo investidos milhões e milhões em obras onde ninguém faz ideia do quanto será o montante final de investimentos. Para a Copa do Mundo não há limites de verbas, para os professores e trabalhadores do Estado sempre faltam recursos e disposição.

Outro ponto triste nessa história é a posição da grande mídia, que sempre transmite notícias tendenciosas sobre greves, sejam elas nacionais ou estaduais. Os professores sempre são marginalizados já na primeira frase da notícia: “Alunos sem aula no estado, devido à greve dos professores”, deixando a sociedade contrária aos trabalhadores e suas reivindicações, e alheia as posições de um governo irredutível. Que fique claro, sempre foi e sempre será a falta de palavra de um governo que não cumpre o que promete e nega qualquer possibilidade de dialogo com os profissionais, o motivo de todas as greves. Sabendo-se que a greve é a ultima das medidas dos trabalhadores que buscam por seus direitos, já esgotadas todas as tentativas de uma negociação pacífica.

Por fim, repudiamos os que se amparam em supostas ilegalidades das greves por considerá-las ilegítimas, afinal, se reivindicar seus direitos for considerado algo ilegal, onde irão parar os direitos daqueles que anseiam por melhorias profissionais e sociais. Teriam que ficar a mercê da boa vontade dos governos que nem sempre atendem aos interesses dos mais necessitados? O que se vê nesse país é grandes empresários faturando alto com obras que nem sempre se fazem necessárias ou superfaturadas, como o metrô de Salvador, que deveria ficar concluído em 3 anos,  possuindo 12 km de extensão. Hoje, passados 12 anos do início das obras, foram construídos apenas 6 km tendo como herança milhões em investimento por parte do governo. O pior é saber que ainda não há data certa para a conclusão desse elefante branco superfaturado.

Que a sociedade perceba que a educação tem que ser prioridade, além do discurso de campanha, tem que ser na prática. Qualidade da educação depende de profissionais bem remunerados e estabilizados. Não há país referência em educação que pague em média 60% menos aos educadores que os demais profissionais com mesma escolaridade. Apenas o Brasil sustenta tamanha mentira com propagandas do governo. Portanto, que o governo pague o piso salarial aos professores, é o mínimo a se fazer por aqueles que tanto contribuem para a construção desse país.

Ilegal é não pagar o Piso salarial aos professores, não cumprindo acordos feitos com os profissionais de ensino...

Direção Municipal do PSOL Caetité
http://psol-caetite.blogspot.com.br/

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