sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Chico Alencar: absolvição de Roriz foi ‘apequenamento da Câmara’



Para o deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ), a Câmara dos Deputados se apequenou ao absolver a deputada federal Jaqueline Roriz (PMN-DF). Ele disse ao SRZD que a votação foi quase uma institucionalização da corrupção eleitoral e que pode abrir espaço para que outros políticos envolvidos em esquemas que vão contra a ética continuem agindo assim, sem medo de terem seus mandatos cassados.
Chico Alencar enfatizou que o PSOL, partido pelo qual é deputado federal, se declarou a favor da cassação, mas como a diferença dos votos contra e a favor foi grande, as pessoas tendem a não distinguir os partidos. “Eu tenho recebido e-mails críticos, alguns violentos quanto ao caso. As pessoas não fazem muita distinção entre partidos, nesse momento todos estamos na vala do corporativismo e da falta de postura digna”, disse. Ele acredita que a moral da Câmara ficou menor diante da população, após a absolvição.
Alencar criticou ainda a votação secreta a qual os deputados foram submetidos. Ele afirmou que a decisão “obscura” do voto secreto contraria a decisão do próprio Conselho de Ética da Casa. Segundo ele, na hora da votação, nem os próprios deputados conseguiam ver em que posição votaram após apertarem o botão ‘sim’ ou ‘não’. “O voto era secreto pra nós mesmos”, disse.
Chico Alencar disse que o partido tinha convicção de que mesmo se Jaqueline fosse absolvida, os votos não seriam tão distintos, porém, ficou surpreso porque o número de deputados que votaram contra a cassação, 265, superou o número necessário para que a deputada fosse cassada, 257. O deputado afirmou que o voto da maioria absoluta “foi um louvor a deputada”.
Jaqueline Roriz (PMN-DF) foi submetida a votação em plenário na Câmara dos Deputados na noite de terça-feira por causa da divulgação de um vídeo em que aparece recebendo R$ 50 mil em dinheiro do ex-secretario de Relaçoes Institucionais, Durval Barbosa, relator do esquema conhecido como “mensalão do DEM”. Ela foi absolvida na Câmara por 265 votos a 166. No total, 451 deputados votaram.

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