Educação não é mercadoria
Como é de costume, a educação faz parte de todo discurso político. A cada eleição são feitas novas promessas em relação a ela, mas pouco se fala sobre as políticas educacionais que serão adotadas e pouco se vê de mudança quando tais políticos ascendem ao poder. Ano após ano essa história se repete e o que temos visto até então por parte dos governantes é uma política de mercantilização e coisificação do ensino, onde se prioriza a lógica da privatização do conhecimento e o beneficiamento de empresários da educação.
Os objetivos do governo para com o ensino são vistos em toda parte. Em programas nacionais como o PROUNI, por exemplo, onde se dá mais lucros aos empresários da educação que benefícios a população brasileira, levando-se em conta que o governo federal, além de garantir milhões de reais em mensalidades sem riscos de inadimplência, isenta tais universidades privadas de impostos. Marina Barbosa, presidente do Andes - Associação Nacional dos Docentes de Instituições do Ensino Superior, resumiu bem essa situação: “A preocupação do governo não é colocar o jovem pobre na universidade, mas, sim, assegurar a preservação dos lucros dos capitalistas da área educacional. Por isso, garante a isenção de impostos para estas instituições... infelizmente o governo opta por transferir recursos públicos para o setor privado” (in Caros Amigos, nº 53).
Além disso, há a recente adoção do ensino técnico por parte do governo no ensino médio. Isso, além de ser uma clara política industrial desenvolvida por reformadores empresariais para atender demandas do setor industrial da economia brasileira, está acima de qualquer interesse em empregar os jovens no mercado de trabalho, pois os altos cargos continuam nas mãos de uma minoria elitista do país, ficando para as camadas populares empregos básicos que não oferecem perspectivas de crescimento profissional.
Os que deveriam estar mais interessados nessas questões (alunos e professores) ainda não se atentaram a real problemática do ensino enquanto mercadoria. Pois todos os planos e reformas educacionais possuem forte cunho econômico e tais grupos estão diretamente ligados a estas tendências de mercado. A sociedade como um todo carece de um acompanhamento efetivo no que tange o ensino nacional (assim como todos os aspectos sociais e econômicos do Brasil). Por tanto se faz urgente uma forte campanha de conscientização sócio-politica nas diferentes camadas e grupos sociais, para que estes vejam a realidade dessa educação voltada apenas para o mercado de trabalho e se mobilizem por uma educação mais social e humana.
A educação que queremos (Parte 1)
